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Monitorar é reconhecer o que é relevante

06 MAI 2010
Tá todo mundo falando em olhar para as redes sociais, certo?

Temos que nos preocupar com o que “eles” estão falando.

Ok, sem dúvida. Mas, aos poucos, baixando a poeira, a galera vai se conscientizando que tomada não é pomada.

A rede é vasta. E nem tudo que cai na rede, é peixe. Pode ser bagrinho. Conversando com o responsável pela interação com os leitores do Globo, Paulo Musoi, entrevista que fiz para a minha pesquisa de doutorado, que vai sair em breve no blog, ele me disse algo assim: “Tem muita informação indevida dentro do site do jornal, mas como ninguém lê ou acessa, não nos preocupamos”.

Este é o espírito de um mundo que sai da escassez para a abundância.

Antes, qualquer notícia tinha relevância, repercutia, pois os meios eram poucos. Hoje, as notícias são muitas, os meios são muitos. E só importa o que for filtrado para cima. Escolhido pela massa. Foi o que sacou o pessoal que está tentando monitorar redes sociais.

Na matéria do Valor:

“Na Direct Labs, a ideia é monitorar as redes sociais, definindo um manual de “o que fazer” em cada caso. “Se um volume grande de mensagens com reclamações for detectado em um determinado período de tempo, qual ação deve ser tomada? Ativar a área de atendimento ao cliente? Avisar os diretores da empresa? Todos os cenários têm que ser desenhados”, diz Diego Monteiro, consultor de redes sociais da Direct Labs. A companhia desenvolveu um software, batizado de Scup, para a tarefa de monitoramento.”

Ou seja, só é relevante aquilo que bomba, que se multiplica; o que não é, não tem valor.

Isso em absoluto não é uma forma nova de manipulação, pois já disse e repito que empresas 2.0 terão que deixar de ser pinóquias e dizer a verdade, de verdade, como sugere Kotler.

Mas que existem verdades mais verdadeiras, que impactam na massa de consumidores e aquelas que devem ser relevadas.

E mais de que nem todo o reclamante ou cara que sugere tem o mesmo peso na rede. Vai se construindo uma visão de que é preciso monitorar para separar o joio do trigo, como defendeu a Lucy Kellaway do Financial Times em matéria reproduzida pelo Valor.

“Não há mais sentido em tentar administrar sua reputação na internet. É tarde demais. Esqueletos estão saindo dos armários e em desvario pela internet, e qualquer pessoa pode dizer o que quiser sobre uma empresa ou uma pessoa sem medo de ser corrigida. ”

“Isso tem importância? Na verdade não, disse recentemente o editor do blog Tech Crunch. Ele afirmou que nossas reputações online podem ser bestas descontroladas, mas são bestas desdentadas: elas na verdade não podem nos machucar.”

“Para conferir essa teoria, fiz algumas pesquisas sobre um homem que construiu uma reputação muito boa fora da internet: Jesus Cristo. Infelizmente, sua presença na rede contém muita coisa preocupante para seus consultores de relações públicas”.

“Se você pesquisar “Jesus” no Google, o primeiro site que aparece é o Wikipedia, que nos diz que ele foi uma das figuras mais influentes da história e que há exatamente 1980 anos pode ter ressuscitado”.

Ou seja, nem tudo o que sai deve irritar a pessoa, ou a empresa. Deve-se levar em conta principalmente o relevante, deixando o poder superior da inteligência coletiva definir.

E, em com mais vagar, analisando o resto.

Não é sair que nem um louco monitorando tudo, nem deixar de monitorar, mas ter ferramentas que coloquem o peso de cada sugestão e ir resolvendo por ordem de prioridades.

Outra atitude sábia é incluir os caras que têm peso – que podem dar carteirada 2.0 – mais e mais para conversar nas macro-estratégias. Os consumidores serão acionistas e os acionistas serão consumidores, tudo na mesma grande plataforma de redes sociais que estamos nos metendo.

Fonte: Webinsider

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